Resenha – Condenada

condenadaTítulo: Condenada
Título Original: Damned
Autor: Chuck Palahniuk
Editora: Leya
Ano: 2013
Páginas: 304
Sinopse: A filha de uma estrela de cinema narcisista e de um bilionário, Madison, é abandonada em uma escola interna na Suíça durante o Natal enquanto seus pais estão divulgando seus novos projetos e adotando mais órfãos. Ela morre de uma overdose de maconha – e a próxima coisa que sabe é que está no inferno. Madison compartilha sua cela com um grupo heterogêneo de jovens pecadores que é quase bom demais para ser verdade: uma líder de torcida, um atleta, um nerd, e um punk, unidos pelo destino para formar a versão “six-feet-under” do filme favorito de todos. Madison e seus amigos caminham através do Deserto de Caspas e escalam a Montanha Traiçoeira de Unhas para enfrentar Satanás em sua cidadela. Todos os doces, que servem como moeda no inferno, não poderão comprá-los.

Por Alina Oliveira

Esse é o primeiro livro do Chuck Palahniuk que eu leio, e ele é bem o que eu esperava desse autor, sendo fã do filme Clube da Luta, não posso dizer que sou conhecedora do estilo dele, mas o que se pode reconhecer do filme nesse livro é a quantidade de sarcasmo e ironia que ele emprega na narrativa.

Condenada vai nos contar a história de Madison, uma jovem de 13 anos, filha de grandes estrelas de Hollywood, ela não atingiu a puberdade ainda, tem uns quilos a mais e é antissocial. Quando morre em circunstancias bastantes idiotas, Madison se vê no inferno, condenada a passar a eternidade remoendo suas agustias. É aqui que começa a narrativa do livro, conhecemos Madison um pouco melhor a cada capítulo.

O livro é recheado de referencias a cultura pop, e acho muito interessante o paralelo que o autor faz entre o grupo de amigos que ela junta logo que chega ao inferno e os jovens em detenção no filme dos anos 80 O Clube dos Cinco, ou então a aparição do demônio do filme Exorcista. A forma com que o inferno é apresentado para o leitor é ótima, as descrições são muito vívidas, desde os Pântanos dos Bebês Malformados e Abortados até o Mar de Esperma Desperdiçado, é muito divertido ler essa versão do inferno que o autor nos propõe, de forma tão irreverente. Tanto as cenas de carnificina praticada pelos demônios quanto o cotidiano dos personagens são muito bem descritas e pouco há de enrolação no livro, o que é sempre bom.

Outra grande sacada do autor são os motivos mais absurdos para se acabar no inferno, como só poder falar “porra” no máximo 700 vezes durante a vida, ou então buzinar mais de 500 vezes. Além do fato de que a moeda corrente nos inferno ser doces.

Com isso o autor satiriza muito bem nosso entendimento de inferno, critica a nosso modo de viver e analisa a hipocrisia presente em todos nós. O livro é um jornada de autoconhecimento para Madison, que talvez seja madura demais para a sua idade, que eu reconheço é culpa do autor, há uma certa falha em representar uma adolescente de maneira fiel, ela tem pensamentos sádicos demais para alguém tão inexperiente com a vida, porem, de maneira nenhuma isso atrapalha o desenvolvimento da personagem. Conhecemos melhor e gostamos de Madison e seus amigos no inferno, Archer sendo o que mais chama atenção e com certeza é o meu preferido dos cinco.

O modo com que a história é contada nos deixa bastante curiosos para ler mais e mais, já que ele usa muitos flashbacks e no começo de cada capítulo há uma pequena mensagem de Madison, que resume basicamente o que vai acontecer no capítulo.

É um livro muito interessante, inteligente e engraçado, talvez não para qualquer pessoa, mas certamente foi para mim. Ao mesmo tempo que satiriza a vida que levamos nos faz pensar em assuntos como família, bullying e no significado da vida, sempre de maneira irreverente e bem pensada. Devo dizer que se antes estava interessada no trabalho desse autor, agora faço questão de ler tudo que ele escreveu, o livro é bom e divertido, uma leitura que vale muito a pena.

Nota: 8/10

“O que faz a Terra se parecer com o Inferno é a expectativa de que se pareça com o Paraíso”

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