Crítica – The Bling Ring: A Gangue de Hollywood

20130705-141149.jpgPostado por: Fernando Antônio

Sinopse:
O longa que contará a história real de um grupo de adolescentes que se especializaram em cometer pequenos assaltos em casas de celebridades, como Paris Hilton e Orlando Bloom. Sofia Coppola é responsável pela direção, produção e roteiro. O elenco conta com Emma Watson, Kirsten Dunst, Leslie Mann, Taissa Farmiga, Israel Broussard, Katie Chang e Claire Pfister.

Graças a distribuidora DiamondFilms pude ver o tão comentado filme The Bling Ring que estréia no dia 2 de agosto aqui no Brasil. A história que como na sinopse diz, fala sobre adolescentes ladrões e é baseada em fatos reais, foi muito bem traduzida para as telas do cinema, mas sofre com problemas de ritmo que tornam seus 90 minutos em 120.

Se você viu o trailer e está esperando para ver Emma Watson como protagonista do filme, esqueça isso, Nicki não é a protagonista do filme, pelo menos não na sua primeira metade. O protagonista do filme é Marc vivido pelo ator Israel Broussand, que começa a roubar para conseguir se tornar “popular” com a sua amiga cleptomaníaca e personagem muito bem montada pela atriz Katie Chang, Rebbeca. Para completar a gangue ainda temos a apagada Chloe (Claire Julien), e Sam que tem uma das melhores atuações do filme (vivida por Taissa Farmiga).

Um problema do filme é o ritmo, ou a falta dele. Após sua abertura (que usa a música Crown on the Ground tocada no trailer) o filme demora para se situar mostrando a vida de Marc como aluno novo e como inciou sua amizade com Rebecca e só se estabelece ao compensar perfeitamente atores e história com início dos roubos, que se tornam relativamente repetitivos, cenas repetidas literalmente por todo o filme. No ponto onde começam as reviravoltas na trama é quando os personagens são as únicas coisas que ainda o tornam o filme interessante, Emma Watson inclusive até rouba o final do filme do seu protagonista e se mostra a salvação do que poderia ter sido um ótimo só que tedioso filme. Não que o protagonista Marc não seja “bom” o bastante, mas é que personagens como Rebbeca e Nicki que são suas principais concorrentes no “estrelato” simplesmente vivem aquilo, enquanto Marc se torna só um exemplo de “lição de moral” e num filme sobre roubos, que por si só já são algo errado e baseado numa história real, forçar uma lição de moral pode não ser uma coisa inteligente e que parece ter sido colocado por Coppola só para agradar moralistas.

O filme tem muita coisa boa, além do elenco, temos uma ótima trilha sonora. Bling Ring consegue passar a sensação de que você está assistindo a ação no meio daqueles ladrões, você consegue entender eles e o que levou eles até aquilo, para alguns foram drogas e diversão, outros por terem sido criados glorificando famosos e seu estilo de vida, como a própria Nicki (Watson) e sua irmã adotiva Sam (Farmiga) que em suas primeiras cenas são ensinadas pela mãe (Leslie Mann) de forma inusitada a seguir o exemplo de vida do livro “o segredo” que foi “moda” a alguns anos e glorificando Angelina Jolie. Essa construção mesmo que superficial é o suficiente para passar o que o filme quer, e é bom de se assistir. Como já falei antes, Nicki e suas falas roubam o filme para si, tal como rouba várias roupas da Paris Hilton.

A direção de Sofia Coppola é muito curiosa para um filme com um tema como esse, a transição de uma cena propositalmente tremida de invasão a casa de Orlando Bloom a uma cena fixa, onde a câmera fica mostrando uma casa de fora de um mesmo ponto por minutos enquanto vemos silhuetas correndo pelas janelas é cansativo. O uso da trilha sonora também é muito estranho, a diretora colocou várias músicas “eletrônica-pop” na trilha, mas usava ela em cenas mais paradas enquanto cenas que pareciam precisar de algo assim ficavam SEM trilha alguma, isso fica bem claro quando em uma cena na boate é usada um instrumental bastante dramático, que não fica ruim, mas não seria uma escolha óbvia. Essas decisões que ela tomou (e eu não sei dizer se é algo que ela sempre faz já que dela só vi o Maria Antonieta (Dunst inclusive faz uma ponta em The Bling Ring)) não são ruins e da uma identidade para o filme. Um filme que apesar de tudo eu gostei e acho que vale a pena ver no cinema.

Nota: 8/10

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4 Respostas

  1. Quanto à trilha, ela usou em cenas paradas pra dar aquela movimentação pra cena. E como deixar de abordar o drama de tudo seria sem noção mas ela não queria que o filme ficasse chato por conta disso, optou por inserir musicas mais agitadinhas. Isso não brinca com nosso sentimentos. Apenas deixa o filme mais cool e eu curti ;

    1. Mas o problema mesmo foi não usar a trilha agitada em cenas como as dos roubos (ela chega a usar, mas n em todas) e como as cenas já são parecidas (SPOILER e algumas como a casa do Orlando Bloom, simplesmente são repetidas ainda mais, pois aparecem exatamente como na abertura) eu achei que isso afetou o filme, acho que a Coppola exagerou muito nessa repetição mas concordo que as agitadas funcionaram bem em algumas cenas parada (que aliais, nem ficavam tão paradas justamente pela trilha) mas não compensou a trilha lenta/pesada em cenas que precisavam de músicas assim. Obrigado pelo seu comentário 😀

  2. Ótima crítica! Só me deixou mais animado pra ver o filme! =D Será que chega em Foz do Iguaçu? hahahaha

    1. Esperamos que sim HAHAHAHAH

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