REVIEW: Bates Motel – “Ocean View”: S01E05

ASOIAJOSASHAS
Sinopse:
Enquanto Norma recebe ajuda, Norman espera pelo seu retorno. Emma e Norman fazem uma grande descoberta em sua investigação.

Postado por: Yuri Hollanda

Episódio com um nível maior de seriedade e focado no cinismo e poder de manipulação de Norma. Como Norman está começando a enxergar o verdadeiro lado da mãe, e o ultimato final: Não era NADA ilusão de Norman.

O episódio já começa com uma cena tensa. Norman acorda na cama de Bradley. A direção não deixa que a gente pense “nossa, ele vai abusar dela”, mas claro, o que temos na cabeça é a imagem do Norman Bates de Psicose. Não dá para não passar pensar no perturbado psicopata de Hitchcock, espiando mulheres no banheiro e matando-as.
A série nos mostra Norman descobrindo que a mãe está presa, indo visitá-la, e é nessa cena que percebemos o quanto a personagem é terrivelmente ridícula, que ainda se mostra com raiva de Norman pelo simples fato dele saído de casa quando ela estava sendo presa, justificando isso por ele ter transado com Bradley. Mais um indício de super controle sobre Norman? Com certeza. Porém a série ainda brinca com os espectadores, deixando diferentes “climas” em cenas do mesmo assunto, criando assim um enigma na nossa cabeça. Norman foi ou não foi abusado por Norma? E se não, porque Norma é tão possessiva com Norman a respeito de garotas? Essa super proteção não é normalmente mostrada na televisão, e 90% das vezes que é mostrada e enfatizada desse jeito é porque tem algo escondido. Outro item que favorece ainda mais a hipótese de Norman ter sido abusado, é que essa é a teoria mais usada para justificar sua obsessão pela mãe como é visto em Psicose.
E o que não teve de Emma no episódio anterior, teve nesse. Enquanto a ausência total de Bradley incomoda Norman (que está iludido achando que porque transou com Bradley, visivelmente carente, acha que está namorando. Típico comportamento de menino ingênuo, e é legal ver que a série trata esse assunto de forma tão boa), Emma o ajuda a superar a pressão da cidade em relação a prisão da mãe. A garota o convida para morar na casa dela, visivelmente interessada na companhia de Norman, e aí que Norman percebe que tem que contar o suposto “namoro” com Bradley (que está visivelmente acontecendo apenas na mente dele).
Entra então o plot mais revoltante da série: O foco em Norma. Não me entendam mal, a melhor coisa nessa série é Vera Farmiga em cena. Mas porque a interpretação dela valeria alguma coisa se ela não conseguisse fazer o público sentir o que os diretores querem que eles sintam, que é, justamente, a raiva pela personagem?
Nós vimos ela matando Keith Summers (claro que não foi sem motivo), mas, meu Deus, é extremamente corajoso das partes dos produtores e diretores dessa série enfatizar TANTO e focar TANTO no cinismo de Norma negando o próprio crime. Você fica com uma vontade louca de matar essa mulher. Ela é manipuladora, fatal!
O que compensa é ver que Norman está caindo em si, e grande parte é por causa do irmão, Dylan. Norman está finalmente conseguindo abrir os olhos em relação a mãe, vendo quem ela realmente é. Uma cena, que pra mim, é uma das melhores da série, é a de Norma expulsando o filho do carro e o abandonando no meio da estrada. Não vou contar o contexto da cena, porque ela é muito boa pra ser estragada pra quem ainda não viu (por mais que o correto seja ler reviews de episódios que já foram vistos).
Em decorrência disso, a relação Norman/Dylan fica mais forte. O que antes era movido por raiva, distância e agressividade, agora se resume em Dylan indo buscar Norman abandonado pela própria mãe no meio da estrada, confissões, segredos revelados um entre o outro, e até Dylan comprando uma casa para ir morar com o irmão, e tirar ele de perto da mãe, já que ele tem consciência da real pessoa que Norma é.
Esse assunto da casa é um ponto muito importante na série. Acontece que Dylan não é mal nem nada, ele é gente boa, o problema é que ele é a pessoa errada em lugares errados. Aquele típico personagem “Bad boy” de coração bom. Ele não tem outra saída a não ser se enfiar no meio da “máfia” para ganhar dinheiro. E a série deixa bem claro, nesse episódio em especial, a enrascada que Dylan se meteu: O parceiro dele é morto ao seu lado à queima roupa, segundos depois de ter emprestado o dinheiro a Dylan para ele comprar a tal casa. A cena é terrível, muito sangue, um buraco no pescoço do homem, e Dylan desesperado levando-o para o hospital.
O grande problema (e a série deixa bem claro) é que Dylan não podia ser visto com esse homem, já que, conseqüentemente, vão descobrir que ele era envolvido com a enorme plantação de maconha escondida na cidade. Então, se Dylan não quer ser descoberto, o que ele estaria fazendo no mesmo carro desse homem, na hora que ele foi baleado, e ainda por cima levando-o ao hospital? Isso ainda vai dar em um bom plot para série, podem ficar certos disso.

Reta final do episódio, e o cliffhanger típico de cada episódio começa a ser destrinchado.
Zack Shelby (o xerife, que tem um caso com Norma) rouba a evidência do crime dela, o que faz com que ela seja liberada. Temos aí uma prova de que Zack é bom, ou que ele quer Norma só para si? Essa hipótese também me fez pensar: Norman Bates não tem um comportamento parecido em Psicose? Ele não tem essa obsessão por poder em cima das mulheres? Será que mais pra frente Zack Shelby irá ser o “professor” do jovem Norman Bates? A série deixa todas essas lacunas que, espero, sejam preenchidas da melhor forma possível.
E então, a cena final, o ato final um dos cliffhangers mais tensos, mais bem atuados e construídos que eu já vi na vida.
Norman conta a Emma que achou a japonesa escondida na casa de Zack Shelby, e Emma levanta a hipótese de que talvez ela esteja no barco de Keith Summers. Juntos, vão averiguar o barco (em uma cena tensa, com um suspense MUITO BOM), e eles a garota. Interessante ressaltar que Emma estava com Norman, eliminando qualquer possibilidade de mais uma vez ser ilusão do garoto. Então eles levam a menina para o Bates Motel, guardam-na num dos quartos, e adivinha quem entra no quarto? Norma Bates!
A expressão de Olivia Cooke (Emma) é incrível nesta cena. Confesso que no começo não colocava fé nela, mas esse episódio provou que ela é uma boa atriz. Juntas em cena, Vera Farmiga e Olivia Cooke roubam a atuação de Freddie Highmore. Norma fica desesperada, mostra a foto de Zack Shelby para a garota japonesa, e ela, assustada, confirma que era realmente ele que a torturava.
E o episódio termina com esse desespero de Norma, e os quatro no quarto do Motel.
A meu ver, superou de novo o epsiódio anterior, assim como todos os outros. Os episódios só crescem em qualidade, é uma série surpreendentemente bem feita, produzida, dirigida e atuada. A história contada tem muitos plots bons.
O episódio foi bom para esclarecer de vez e terminar com a dúvida “Zack Shelby é ou não é mal?”. Espero realmente, que os produtores não me venham com uma na season finale de que TUDO acontecido na série era imaginação de Norman. Espero mesmo, eles podem colocar momentos de alucinação em vários outros pontos sem deixar nada “superficial” ou forçado para terminar a temporada, já que a série foi renovada.
Episódio incrível mais uma vez, e com a reviravolta típica de todo episódio que já é a marca registrada de Bates Motel.

“Você me assusta, mãe.”

– Norman Bates

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